Políticos e ativistas da esquerda brasileira querem manter a mobilização online que ajudou a campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno, ao mesmo tempo que avançam na regulamentação das plataformas de redes sociais. Lula também sinalizou apoio à regulamentação em seu discurso de vitória, dizendo que crimes digitais devem ser tratados como crimes no mundo real.
O deputado federal André Janones, que liderou o grupo de WhatsApp conhecido como “Exército de Lula”, disse que a rede permaneceria ativa como instrumento de pressão popular durante o próximo mandato de Lula. Janones disse à Folha que ela poderia ajudar a contrabalançar a maioria da direita no Congresso e apoiar a capacidade de governar do presidente. Segundo a reportagem, o grupo reuniu mais de 10 milhões de pessoas.
Lula atribuiu a Janones o mérito de ajudar a manter o ânimo da campanha e o descreveu como um general. O presidente também disse que havia começado a usar um smartphone por insistência de Janones e de outros aliados, e prometeu se comunicar diretamente com o público, em vez de depender de intermediários.
Outros políticos progressistas que ganharam destaque online durante o segundo turno também pediram a continuidade da organização digital. O deputado federal eleito Guilherme Cortez disse que a esquerda demorou a reconhecer a importância das redes sociais nas disputas políticas, mas recuperou terreno durante a campanha. Ele argumentou que a mobilização e a regulamentação das plataformas devem caminhar juntas.
Cortez disse que uma possível abordagem regulatória poderia permitir que os usuários desativassem as recomendações algorítmicas. Nessa opção, os feeds mostrariam publicações de pessoas e contas que os usuários seguem, em vez de conteúdo selecionado pelas plataformas para prender sua atenção. Ele disse que os detalhes precisariam ser discutidos com outras partes interessadas.
A campanha foi marcada por acusações de que as plataformas digitais trataram os candidatos de forma desigual. A Folha informou que mensagens internas da Meta reconheceram prejuízos a contas de Lula e benefícios a contas que apoiavam seu adversário, Flávio Bolsonaro; a Meta negou interferência. O jornal também noticiou diferenças na forma como a ferramenta de inteligência artificial da empresa respondia a pedidos de geração de imagens envolvendo os candidatos.
Lula disse em seu discurso de vitória que a eleição havia sofrido interferência por meio das plataformas digitais e que elas precisariam ser regulamentadas. Ele também criticou empresas bilionárias que, em sua opinião, não pagam impostos enquanto buscam influenciar a eleição brasileira. Segundo a reportagem, seu governo já havia trabalhado em propostas para regulamentar as plataformas, mas não avançou nessa questão durante seu mandato.
Fontes: Folha Poder.