O Partido dos Trabalhadores do Brasil (PT) começou a consultar líderes partidários sobre a distribuição dos ministérios no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente do PT, Edinho Silva, a quem Lula encarregou de conduzir as conversas iniciais, pediu aos partidos propostas e estimativas de quantos votos conseguem garantir no Congresso.
Silva se reuniu com líderes de pelo menos quatro partidos: MDB, PSD, PSB e União Brasil. Os grupos abrangem a centro-esquerda, o centro e a direita; alguns apoiaram Flávio Bolsonaro, do PL, na disputa presidencial. As conversas iniciais não se concentraram em ministérios específicos. Líderes partidários consultados pela Folha esperam que as decisões sobre os ministros sejam tomadas apenas a partir do fim de novembro.
Silva disse a seus interlocutores partidários que o governo pretende mudar a forma como constrói alianças, enfatizando os laços institucionais com o Palácio do Planalto. Lula quer ter um panorama mais claro do apoio de cada partido no Congresso, especialmente em questões que devem ser sensíveis durante a próxima administração.
O PT também pediu aos partidos que apresentassem suas agendas políticas e propostas de reformas. O objetivo é identificar em que pontos os possíveis aliados concordam ou divergem do governo. Espera-se que Lula avalie pessoalmente os indicados mais adiante, e ele deu a entender que o apoio político, por si só, não será suficiente: quer que os candidatos indicados pelos partidos aliados apresentem planos para os setores que ficarão sob sua responsabilidade.
O tom das conversas varia de acordo com o partido. Silva manteve conversas mais informais com grupos que apoiaram Lula desde o primeiro turno, ao mesmo tempo que os tranquilizou, afirmando que receberiam cargos importantes. O presidente do MDB, Baleia Rossi, descreveu seu encontro com Silva como uma “quebra de gelo” que incluiu a política econômica. Ele disse que o partido apresentou suas propostas, reunidas em um manifesto, e que deseja manter uma relação construtiva com o governo.
Depois de se reunir com os presidentes dos partidos, Silva apresentará um informe a Lula, que deverá então assumir o comando da reformulação ministerial. O atual governo tem 38 ministérios, número que poderá subir para pelo menos 39 caso seja criado um Ministério da Segurança Pública. No terceiro governo de Lula, PSD, MDB e União Brasil receberam três ministérios cada, enquanto outros partidos de centro-direita, incluindo PP e Republicanos, foram incorporados ao governo mais tarde. Divisões internas nos partidos fizeram, por vezes, com que o governo não pudesse contar com a maioria de suas bancadas no Congresso.
A distribuição dos ministérios é uma das formas pelas quais o Poder Executivo busca garantir apoio no Congresso. Esse esforço deverá ser ainda mais importante a partir de 2027, quando se prevê que Lula tenha uma base menor tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado. No Senado, o líder da oposição, Rogério Marinho, do PL, poderá assumir a presidência da Casa a partir de fevereiro. Nomeações para ministérios e outros cargos também podem fazer parte dos esforços para apoiar a reeleição do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do União Brasil.
Algumas possíveis mudanças já foram discutidas, embora líderes do governo considerem cedo demais para definir nomes. Segundo relatos, Lula quer que o vice-presidente Geraldo Alckmin, membro do PSB, permaneça no Palácio do Planalto, o que poderá abrir a vaga no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, que ele comanda atualmente. Espera-se que o presidente do PSB, João Campos, receba um ministério, possivelmente o da Ciência e Tecnologia.
O PSD informou ao governo que quer que André de Paula continue como ministro da Agricultura e espera indicar alguém ligado à sua bancada na Câmara para o Ministério da Pesca. O futuro do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que pertence ao PSD, é incerto: líderes do partido o consideram uma escolha pessoal de Lula e esperam que o partido receba outro ministério de destaque. O ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes também foi mencionado como possível ministro pelo partido.
Fontes: Folha Poder.
