O processo contínuo de regularização de migrantes impulsionou as cifras de emprego da Espanha a níveis sem precedentes em outubro, com a afiliação à Segurança Social a crescer aproximadamente 187.000 pessoas. Este surto estabeleceu um novo recorde histórico de mais de 22,6 milhões de trabalhadores registados como afiliados ativos no país. De acordo com dados do Ministério da Inclusão, o saldo global situa-se numa média de 22.624.165 indivíduos empregados afiliados à Segurança Social, enquanto o desemprego registado atingiu 2.422.633 pessoas, marcando a cifra mais baixa para este mês desde 2007.
A iniciativa de regularização tem sido um motor principal destas cifras extraordinárias. Até ao final de outubro, o número de afiliados estrangeiros em situação ativa resultante deste processo atingiu 490.586 indivíduos. Desde que o procedimento começou em abril, um total de 557.410 pessoas tiveram pelo menos um dia de afiliação ativa. A Colômbia representa a maior parte destes novos afiliados com 27,6%, seguida pela Venezuela com 15,7%. Demograficamente, 60% destes trabalhadores regularizados são homens e 40% são mulheres, sendo que a Catalunha e Madrid representam juntas 39% do aumento total.
O emprego estrangeiro continua a mostrar forte dinamismo, adicionando quase 64.000 afiliados apenas em outubro e elevando a percentagem de trabalhadores estrangeiros para 16,4% do total. As cifras recorde de afiliação também refletem novos máximos em várias categorias: as mulheres ultrapassaram os 10,7 milhões, os homens aproximaram-se dos 12 milhões, os trabalhadores por conta própria excederam pela primeira vez os 3,5 milhões e os trabalhadores estrangeiros aproximaram-se dos 3,7 milhões.
Apesar do aumento do desemprego registado de 43.100 pessoas — uma cifra superior à de anos recentes e o dobro da de outubro de 2025 —, as autoridades governamentais mantêm que estes números não são alarmantes. O Ministério do Trabalho sugere que, para muitos, este período de desemprego é breve e maioritariamente burocrático à medida que transitam para o emprego formal, muitas vezes apoiados por incentivos para empresas que contratam através do serviço público de emprego (SEPE). No último ano, o desemprego registado diminuiu efetivamente em 21.100 pessoas, uma redução de 0,9%.
A aceleração na criação de empregos impulsionou a taxa de crescimento anual para 3,6%, subindo de 3,4% no mês anterior, representando um aumento de quase 785.000 afiliados no último ano. Em base sazonalmente ajustada, o emprego cresceu em 90.300 pessoas em outubro. O setor da construção liderou o crescimento anual de empregos com um aumento de 7,3%, seguido pelas atividades imobiliárias a 5,8% e as atividades artísticas, desportivas e de entretenimento a 5,3%. Além disso, a quota de contratos temporários caiu significativamente para 12,1%, descendo de 28,3% em outubro de 2021 antes das reformas laborais, com a taxa para trabalhadores com menos de 30 anos a cair para 19,9% face aos 51,7% de cinco anos atrás.
Fontes: elDiario.es.