Aliados do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, apostam que a perda de destaque político do movimento bolsonarista abrirá caminho para uma possível candidatura presidencial em 2030. Alguns de seus interlocutores acreditam que, à medida que Jair Bolsonaro e seus filhos percam influência, de Freitas talvez não precise mais da aprovação deles para representar a direita na próxima eleição presidencial, depois de 2026.

O vice-governador Felicio Ramuth disse que espera que o movimento bolsonarista continue fazendo parte da política brasileira, mas perca destaque nas futuras disputas presidenciais. Ele comparou essa possibilidade à influência declinante do Partido dos Trabalhadores após Luiz Inácio Lula da Silva e aos riscos que o Partido da Social Democracia Brasileira enfrenta.

Segundo a reportagem, a independência de de Freitas não era uma opção em 2026, depois que Bolsonaro escolheu seu filho Flávio como candidato à Presidência. Na época, o governador era visto com mais simpatia pelos mercados financeiros, enquanto o senador era considerado menos propenso a atrair outros partidos e eleitores da direita e do centro.

Aliados interpretaram comentários recentes de de Freitas como sinais de que ele está preparado para aceitar atritos com apoiadores de Bolsonaro. No dia em que Flávio Bolsonaro publicou uma carta descrita na reportagem como tendo um tom relacionado a um golpe, o governador disse em um comunicado que o resultado eleitoral deveria ser respeitado e que era hora de olhar para a frente.

Em entrevista ao O Estado de S. Paulo, de Freitas disse que uma campanha nacional dependeria de concluir bem seu segundo mandato. As declarações provocaram críticas de apoiadores de Bolsonaro, mas a ex-primeira-dama e senadora eleita Michelle Bolsonaro defendeu o governador dos ataques de aliados de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, aliado de de Freitas que apoiou a candidatura de Flávio, tentou minimizar a disputa. Ele disse que Michelle Bolsonaro havia relatado que Jair Bolsonaro não tinha críticas a de Freitas e, em vez disso, sentia gratidão e reconhecimento, acrescentando que os ataques partiram de pessoas que buscavam manter o engajamento nas redes sociais.

Fontes: Folha Poder.