Os democratas planejam priorizar a supervisão do Congresso depois de conquistarem o controle da Câmara e do Senado nas eleições de meio de mandato. Com o presidente Trump ainda no cargo, eles esperam que menos projetos de lei importantes se tornem lei e que haja mais investigações sobre a conduta do governo e o uso do poder executivo.
As novas maiorias dão aos democratas o poder de intimar documentos e exigir que pessoas prestem depoimento perante os parlamentares. O deputado Robert Garcia, democrata da Califórnia que deverá presidir a Comissão de Supervisão da Câmara, sinalizou a abordagem do partido com um aviso direto: “CONTRATEM ADVOGADOS.”
Um dos principais focos será a gestão, pelo governo, dos documentos relacionados a Jeffrey Epstein, o criminoso sexual condenado. Os democratas argumentam que alguns registros foram retidos ou censurados indevidamente e dizem que o Departamento de Justiça protegeu Trump de acusações prejudiciais, alegação negada pela liderança do departamento. Eles planejam investigar os vínculos de Epstein com figuras poderosas, incluindo o presidente. Trump negou ter cometido qualquer irregularidade e afirmou que sua relação com Epstein terminou antes da acusação formal contra ele, em 2016.
Os democratas também pretendem examinar possíveis conflitos de interesse envolvendo Trump, sua família, funcionários do governo e aliados. Suas preocupações incluem os interesses empresariais do presidente, a Truth Social, projetos de criptomoedas e empreendimentos no exterior envolvendo seus filhos e investidores estrangeiros. Eles também levantaram questões mais amplas sobre doações políticas, negociação de ações por integrantes do Congresso e a passagem de funcionários do governo para atividades de lobby empresarial.
A fiscalização da imigração é outra área prevista para investigação. Os democratas dizem ter documentado centenas de casos alegados de abuso ou má conduta por agentes de imigração enquanto eram minoria e esperam realizar audiências sobre episódios de violência envolvendo agentes federais. Em outubro, realizaram uma audiência externa em Austin, no Texas, sobre tiroteios envolvendo agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE).
O partido planeja continuar examinando a política de saúde pública, incluindo os efeitos das ações do governo sobre a infraestrutura de saúde e a pesquisa científica. A análise deverá incluir o secretário de Saúde e Serviços Humanos, Robert F. Kennedy Jr.
Os democratas também planejam investigar o uso da autoridade executiva por Trump, incluindo obras de construção e reforma na Casa Branca. Eles afirmam que os projetos levantam questões sobre o poder constitucional do Congresso em relação aos gastos federais, especialmente porque acusam o governo de ignorar decisões do Congresso e cancelar verbas aprovadas.
Sobre a guerra no Irã, os democratas pretendem pressionar o governo a respeito da autoridade do Congresso para declarar guerra e autorizar o uso da força militar, bem como do custo do conflito para a população. Espera-se que promovam novas votações sobre poderes de guerra com o objetivo de encerrar o conflito. O artigo também observa que uma votação de impeachment na Câmara envolvendo o secretário da Defesa, Pete Hegseth, poderá ocorrer antes do início do novo Congresso.
Elon Musk e suas empresas também provavelmente serão alvo de escrutínio. Os democratas da Câmara pediram análises do financiamento federal destinado às empresas de Musk, incluindo uma avaliação sobre se elas estão cumprindo os requisitos contratuais e se há salvaguardas contra interferência política ou uso indevido de recursos públicos. Os parlamentares também poderão examinar o Departamento de Eficiência Governamental, iniciativa liderada por Musk que reduziu o quadro de funcionários federais, mas não alcançou a economia prometida de um trilhão de dólares.
Fontes: NPR Politics.
