Isabel Allende diz que a idealização de Francisco Franco, Augusto Pinochet e Adolf Hitler ajuda a explicar a presença de neonazistas e os ganhos eleitorais da extrema-direita. A autora chilena fez as declarações ao apresentar La hora antes del alba, continuação de La casa de los espíritus, que venceu o Premio Planeta de 2026.
Allende disse que os conflitos políticos atuais, incluindo o que descreveu como uma flertação com o autoritarismo, o populismo e a extrema-direita, ajudaram a inspirar o livro. Há muito tempo ela considera dar continuidade à história de Alba, personagem de seu romance de 1982, mas só agora a tornou a figura central de um novo volume.
O romance começa com Alba depois de ter sido torturada e estuprada e de ter perdido o avô. Allende disse que o desafio da personagem é recomeçar sem carregar ressentimento e raiva. Ela descreveu a escolha de como compreender a si mesma após um trauma como um processo interior difícil e distinguiu isso do perdão.
O livro se passa dois anos após a morte de Franco e inclui uma personagem que se pergunta por quanto tempo sua presença perdurará. Allende disse que Franco, Pinochet e Hitler continuam na consciência pública em meio ao que considera entendimentos distorcidos da história e à ignorância. Ela também lamentou que o Chile não tenha empreendido um esforço genuíno para estabelecer a verdade ou reparar os danos causados pelo passado do país.
Allende, que mora nos Estados Unidos, disse que as divisões que remontam à Guerra Civil continuam evidentes por lá. Ela contou que foi chamada de comunista durante uma visita à Espanha para pesquisar a Guerra Civil Espanhola, depois de criticar Franco. “Ainda existe uma idealização de Franco, Pinochet e Hitler, e é por isso que há neonazistas e a extrema-direita vence”, disse.
O finalista do Premio Planeta, Sergio Hernández, também escreve sobre repressão, memória e suas consequências duradouras. Seu romance, La añoranza, começa em Barcelona, em 1959, com uma jovem fugindo da Guarda Civil depois de participar de uma manifestação antifranquista. Hernández disse que seu interesse pelo exílio de Antonio Machado foi o ponto de partida do livro e chamou o exílio de um dos aspectos frequentemente esquecidos da Guerra Civil Espanhola.
Os dois autores disseram que a ficção pode explorar profundamente experiências históricas. Allende disse que se sente atraída pelas vozes deixadas de fora dos relatos históricos convencionais, enquanto Hernández argumentou que a ficção pode dar aos leitores acesso a acontecimentos que eles próprios não vivenciaram. La hora antes del alba recebeu o prêmio principal, enquanto La añoranza foi escolhida como finalista.
Fontes: elDiario.es.