A Linke de Berlim abriu caminho, em seu congresso partidário, para negociações de coalizão com o SPD e os Verdes. Os delegados rejeitaram uma moção para enfraquecer acordos existentes com os dois partidos sobre antissemitismo. A presidente estadual Kerstin Wolter havia alertado que aprovar a moção significaria nenhuma negociação de coalizão; cerca de dois terços dos delegados atenderam ao seu apelo. Com a votação concluída, mais de 100 membros da Linke devem trabalhar nos grupos de trabalho de negociação nas próximas semanas, coordenados por uma equipe central de oito representantes da liderança do partido e do grupo parlamentar. Se as conversas forem bem-sucedidas, mais de 19.000 membros da Linke de Berlim votarão sobre o acordo de coalizão. Os Verdes e o SPD também anunciaram consultas aos membros.
O ministro da Defesa, Boris Pistorius, opôs-se à perspectiva de uma coalizão com a Linke. Ele disse que a decisão cabia à associação estadual do SPD em Berlim, mas que não defendia uma coalizão com a Linke, acrescentando que o SPD perderia confiança nesse caso. Pistorius criticou a Linke de Berlim como pouco clara e difusa em questões importantes, especialmente o antissemitismo, no qual disse que o partido tem posições internas divergentes. Ele também criticou a relação da Linke com as autoridades de segurança e com clãs criminosos. Pistorius disse que aderiria a uma iniciativa intitulada “Nicht um jeden Preis” (“Não a qualquer preço”), assinada por mais de 700 social-democratas, incluindo a ex-prefeita de Berlim Franziska Giffey e o ex-ministro e ex-presidente do SPD Sigmar Gabriel.
Elif Eralp, vencedora eleitoral da Linke em Berlim, mostrou-se combativa no congresso partidário. Ela rejeitou acusações de antissemitismo e chamou de “inadmissível” a publicação de um memorando. Ela foi acusada de não conseguir proteger Berlim como prefeita por causa de suas “preocupações”; Eralp disse que via de outra forma e que, justamente por conhecer diversas preocupações, faria exatamente isso. Ela elogiou os resultados das conversas exploratórias, chamando de histórico o fato de a socialização ter sido negociada. O documento exploratório inclui a expropriação de empresas imobiliárias proprietárias de mais de 10.000 apartamentos. Eralp disse que isso significava que cinco grandes empresas imobiliárias seriam em grande parte expulsas do mercado, o que descreveu como um grande sucesso.
Segundo um relatório da Spiegel citado no liveblog, Eralp considera a segurança de sua família em risco se comentar explicitamente, citando o nome, o conhecido ativista palestino Ibrahim Ibrahim, a quem a reportagem descreve como simpatizante do terrorismo e que tem contatos com membros da Linke. Um chamado à Deutsche Presse-Agentur criticou o que chamou de novos ataques quase diários a Eralp e à associação estadual, classificando a reportagem da Spiegel como o mais novo ponto baixo. Foi assinado pelos líderes da Linke Ines Schwerdtner e Luigi Pantisano, pelo vice-presidente do Bundestag Bodo Ramelow, pela líder do grupo parlamentar Heidi Reichinnek e pelo veterano da Linke Gregor Gysi. O chamado dizia ser horripilante que uma observação interna na qual Eralp expressava preocupação com a segurança de sua família tivesse sido explorada na mídia e alçada à primeira página, e que usar suas preocupações pessoais contra ela para lançar dúvida sobre seu profissionalismo era pérfido.
Sem citar o nome da deputada da Linke em Neukölln, Vanessa Emde, Schwerdtner pediu que os membros do partido mantivessem a disciplina e não dessem aos adversários políticos uma superfície de ataque. Emde havia posado na noite eleitoral para uma foto com Ibrahim Ibrahim. A liderança do grupo parlamentar da Linke de Berlim atualmente não vê uma base de trabalho comum com ela porque ela se distanciou de resoluções da Linke sobre o direito de Israel de existir. Schwerdtner disse que, diante de cada provocação, é preciso perguntar se ela ajuda apenas a própria pessoa ou as pessoas que ela quer servir, e que os adversários estavam esperando a única foto com a qual poderiam distrair novamente. Ela exigiu que todos os deputados respeitassem as resoluções da Linke.
Lies alertou sobre seu partido entrar em uma coalizão com a Linke de Berlim. Ele disse que era um pacote pesado com o qual começar no cargo e que lhe faltava cada vez mais imaginação para ver como isso não se tornaria um fardo permanente para uma possível coalizão. Ele disse que agora importava que Berlim decidisse com calma e cuidado qual governo poderia dar estabilidade à cidade.
O tesoureiro estadual da Linke, Ruben Lehnert, disse que, com o apelo por direitos de voto para todos, o Vermelho-Verde-Vermelho estava levantando a “questão da democracia”. Ele disse que era mais do que hora de centenas de milhares de estrangeiros poderem votar no futuro. O Tribunal Constitucional Federal classificou os direitos de voto para estrangeiros como inconstitucionais em sua jurisprudência anterior.
Separadamente, a coalizão preto-vermelha planeja uma cota de gás verde e óleo de aquecimento verde para aquecimento privado. Ela obrigaria fornecedores de gás e petróleo a partir de 2028 a mudar gradualmente para combustíveis climaticamente neutros, especialmente biometano e bio-óleo, mas também hidrogênio verde e de baixo carbono e metano sintético. Associações ambientais e protetores de inquilinos se opõem ao plano. O SPD também indicou Michel Friedman para a Bundesversammlung. A decisão foi tomada com o envolvimento do líder do grupo parlamentar do SPD, Matthias Miersch, que elogiou o homem de 70 anos por defender decisivamente a democracia liberal e por seu trabalho contra o antissemitismo, o racismo e toda forma de misantropia, o que, segundo ele, era especialmente importante em um momento em que valores e instituições democráticos estão sob pressão.
Fontes: FAZ.