À medida que se aproximam as eleições de meio de mandato, o legado da eleição de 2020 está moldando a abordagem do Departamento de Justiça em relação à administração eleitoral. Vários de seus principais dirigentes evitaram reconhecer diretamente que Donald Trump perdeu, observando, em vez disso, que a vitória de Joe Biden foi certificada legalmente.
Entre esses dirigentes estão o procurador-geral Todd Blanche, a ex-procuradora-geral Pam Bondi, o diretor do FBI Kash Patel e Harmeet K. Dhillon, que chefia a divisão de direitos civis do departamento. Em depoimentos perante o Congresso, todos evitaram responder com um simples sim ou não sobre o resultado. Durante o processo de confirmação para um cargo de juiz federal no ano passado, o ex-assessor de Blanche, Emil Bove III, descreveu a eleição como um “debate político ou de políticas públicas” não resolvido.
Segundo a reportagem, tornou-se comum que funcionários se recusem a afirmar claramente que Trump perdeu para evitar contradizer o presidente. Isso também reflete a persistência, dentro do departamento, da suposição de que a fraude eleitoral é suficientemente disseminada para exigir uma resposta federal contundente. Autoridades eleitorais estaduais e análises de especialistas contestaram essa premissa.
Karen Brinson Bell, ex-diretora executiva do Conselho Estadual de Eleições da Carolina do Norte, disse que a abordagem atual do departamento difere daquela adotada por administrações anteriores, fossem elas lideradas por republicanos ou democratas. Ela apontou iniciativas que ecoam temas levantados por Trump há seis anos: esforços para restringir o voto pelo correio, uma tentativa malsucedida de obter dados confidenciais de eleitores dos estados e ameaças dirigidas a autoridades locais.
Fontes: The New York Times Politics.