A proposta política do Labour tornou-se estreitamente ligada ao crescimento económico, mas um editorial do Guardian argumenta que melhorar a vida das pessoas não precisa de depender da recuperação dos níveis de crescimento anteriores. O texto recorre aos economistas Karel Williams e Sukhdev Johal, convidados do podcast Radical Thinking do jornal, para defender uma abordagem económica diferente.

O editorial observa que Keir Starmer fez do crescimento um tema central antes das eleições gerais de 2024, argumentando que era necessário para financiar as ambições do Labour. Andy Burnham também adotou o slogan “Crescimento em cada código postal”. O seu ministro das Finanças, John Healey, disse na conferência do Labour em setembro: “Sem crescimento, não há social-democracia.”

Williams e Johal questionam se é possível recuperar os níveis de crescimento do passado num contexto geopolítico transformado. Também argumentam que um crescimento mais elevado não resolveria necessariamente os problemas de acessibilidade económica em lugares que dificilmente se tornarão centros de manufatura avançada ou de serviços financeiros. O editorial aponta para o contraste entre o centro da cidade de Manchester e localidades como Oldham e Wigan.

Em vez disso, os economistas defendem que se preste mais atenção ao que os lugares de baixos rendimentos precisam para funcionar bem e proporcionar uma vida digna aos seus residentes. O editorial afirma que medidas fiscais redistributivas poderiam reduzir as despesas das pessoas com rendimentos mais baixos, enquanto o investimento nos transportes, nos serviços públicos, nas redes de cuidados e noutras infraestruturas locais poderia fortalecer as comunidades e melhorar o acesso a serviços essenciais.

A decisão de Burnham, enquanto presidente da câmara, de colocar os autocarros da Grande Manchester sob controlo público e limitar as tarifas é apresentada como um exemplo desta abordagem. O editorial afirma, porém, que Starmer transmitiu mensagens contraditórias sobre o “Manchesterismo” e argumenta que a devolução de poderes deve distribuí-los localmente, em vez de os direcionar para investidores externos na busca do crescimento.

O texto também destaca Middleton, perto de Manchester, onde uma corporação de desenvolvimento municipal aprovada por Burnham está a ser moldada pelos residentes e pelas empresas locais. O projeto pretende reformular as redes económicas locais e melhorar a oferta de bens essenciais do dia a dia. Com o apoio de Westminster, argumenta o editorial, os social-democratas podem começar a melhorar vidas sem esperar pelo crescimento económico.

Fontes: The Guardian Politics.