A Leag destacou-se como a principal vencedora no primeiro concurso da Alemanha para novas centrais elétricas destinadas a garantir o abastecimento de eletricidade quando a produção eólica e solar é baixa. A Agência Federal das Redes atribuiu à empresa, sediada em Cottbus, sete dos 11 contratos anunciados na terça-feira, incluindo seis projetos na Lusácia e um em Leipheim, na Baviera.
Na Lusácia, a Leag planeia converter partes das suas atuais centrais elétricas a lenhite em Jänschwalde e Boxberg para produção a gás. A empresa prevê investir até 2 mil milhões de euros em instalações com uma capacidade elegível de quase três gigawatts. O diretor executivo da Leag, Adi Roesch, classificou o resultado como um grande sucesso e afirmou que os projetos reutilizariam ligações à rede, edifícios e equipamento técnico existentes para poupar tempo e dinheiro.
As novas centrais destinam-se a fornecer energia de reserva quando a produção renovável é insuficiente, pelo que se espera que funcionem apenas de forma intermitente. Inicialmente, utilizarão gás natural e deverão ser convertidas para hidrogénio até 2045. Ao abrigo do programa, os operadores receberão pagamentos por disponibilizarem capacidade durante um período de 15 anos. A ministra da Economia, Katherina Reiche, afirmou que a nova capacidade deverá estar pronta, o mais tardar, até 2031.
A RWE foi outra grande vencedora, recebendo contratos para três novas centrais a gás compatíveis com hidrogénio, em Voerde, Weisweiler e Werne. As respetivas capacidades elegíveis são de 730 megawatts em Voerde e de 700 megawatts em cada uma das outras duas instalações. A empresa afirmou que esperava iniciar, dentro de algumas semanas, a construção da sua primeira central, provavelmente em Weisweiler. A Stadtwerke Karlsruhe também ganhou um contrato para uma central mais pequena, de motores a gás, com 54 megawatts.
O concurso atraiu 41 propostas para quase 12 gigawatts de capacidade, perto do triplo dos 5,16 gigawatts atribuídos no final. Os preços médios dos contratos foram de 155 296 euros por megawatt de capacidade elegível por ano, abaixo do máximo de 244 000 euros. Nenhuma proposta de armazenamento em baterias foi bem-sucedida. A Associação Alemã dos Serviços Públicos Locais e Os Verdes criticaram a concentração dos contratos num pequeno número de fornecedores.
A distribuição geográfica dos contratos também foi desigual. Segundo a operadora de rede Amprion, 53% dos projetos selecionados situam-se na zona técnica norte da rede, em Brandemburgo e na Saxónia, enquanto 47% ficam no sul, incluindo a Renânia do Norte-Vestefália, a Baviera e Baden-Württemberg. A Amprion afirmou que o bónus para o sul previsto no concurso não produziu uma distribuição norte-sul suficientemente eficaz da capacidade assegurada.
O plano da Leag de adaptar unidades a carvão suscitou uma análise mais atenta do seu desempenho. Espera-se que as centrais convertidas tenham uma eficiência de 40% a 45%, em comparação com até 60% nas modernas turbinas a gás de ciclo combinado. Isso significa que consumiriam mais gás e emitiriam mais dióxido de carbono por cada unidade de eletricidade produzida. Uma estimativa de Hendrik Diers, do Instituto de Economia da Energia da Universidade de Colónia, aponta para emissões anuais de cerca de 1,5 milhões de toneladas nas centrais convertidas da Leag, caso funcionem durante aproximadamente 1 000 horas. Novas centrais de ciclo combinado com a mesma capacidade e tempo de funcionamento emitiriam cerca de 1,1 milhões de toneladas, embora a conversão de instalações existentes pudesse reduzir custos e evitar as emissões associadas à demolição e à construção de novas centrais.
As unidades adaptadas também demorariam mais a aumentar e reduzir a produção do que as centrais modernas de ciclo combinado. Diers afirmou que esta falta de flexibilidade poderia elevar em alguns euros por megawatt-hora os preços médios da eletricidade no mercado grossista, uma vez que estas centrais talvez tivessem menos capacidade para compensar erros de previsão da produção renovável. Observou que os tempos de arranque são menos importantes no mercado diário, em que as previsões meteorológicas costumam indicar com vários dias de antecedência quando serão necessárias centrais.
A EnBW, a TotalEnergies e a Uniper não receberam contratos na primeira ronda e poderão procurar oportunidades em concursos posteriores. A Uniper recusou comentar se poderia contestar o resultado em tribunal. As discussões do setor antes do concurso tinham levantado questões jurídicas sobre a conversão de antigas centrais a carvão, incluindo se uma instalação poderia receber uma compensação pelo encerramento no âmbito da eliminação progressiva do carvão e, mais tarde, obter novo apoio quando partes dela regressassem ao mercado da eletricidade.
A Agência Federal das Redes não apresentou uma estimativa dos custos adicionais para os consumidores de eletricidade. O artigo refere que os 12 mil milhões de euros de apoio total, juntamente com os custos de futuros concursos, surgirão nas faturas de eletricidade através de uma contribuição.
Fontes: FAZ.