Donald Trump usou uma aparição de campanha uma semana antes das eleições de meio de mandato nos EUA para exibir a decisão da Audi de construir uma nova fábrica de automóveis na Geórgia, com o chefe da montadora ao seu lado. Segundo o relatório original, a medida reflete o quão estreitamente o presidente consegue apresentar um sucesso econômico demonstrável no meio de seu mandato: destacando o investimento corporativo estrangeiro enquanto evita um escrutínio mais detalhado de outros fatos econômicos.
O anúncio da Audi faz parte de uma série de projetos divulgados desde a vitória eleitoral de Trump há dois anos. O relatório afirma que alguns foram forçados por sua política tarifária, porque, de outra forma, empresas estrangeiras teriam dificuldade de permanecer competitivas no mercado dos EUA. Outros estão ligados a um boom especial no setor de tecnologia dos EUA na era da inteligência artificial, à medida que empresas que buscam um papel nesse crescimento constroem fábricas de chips ou data centers nos Estados Unidos.
No conjunto, o relatório estima as promessas de investimento de empresas estrangeiras em mais de US$ 600 bilhões. Observa que o antecessor de Trump, Joe Biden, também gerou uma onda de investimentos, usando subsídios para carros elétricos e tecnologia favorável ao clima no âmbito do Inflation Reduction Act, em vez de tarifas. A abordagem de Trump é descrita como menos sutil, com um efeito quase duas vezes maior.
Pesquisas antes da votação de terça-feira, na qual todos os assentos da Câmara e um terço dos assentos do Senado estão em disputa, sugerem que os democratas da oposição poderiam assumir o controle de pelo menos a Câmara e, possivelmente, do Senado. Os republicanos atualmente detêm maiorias em ambas as casas. O relatório observa que o partido do presidente geralmente perde terreno nas eleições de meio de mandato, mas que o nível atual de insatisfação é histórico: a taxa de aprovação de Trump está em 38 por cento. Desde a Segunda Guerra Mundial, apenas Harry Truman estava mais baixo, com 33 por cento em 1946, quando seu partido perdeu ambas as casas. O relatório acrescenta que Truman não havia sido eleito presidente em 1944, mas assumiu o cargo como vice-presidente de Franklin Roosevelt depois que Roosevelt morreu um ano após a eleição presidencial, e que ele mais tarde triunfou e governou até 1952.
Buscando a origem do descontentamento nos dados econômicos, o relatório aponta para a inflação e a dívida. Sob Trump, a dívida dos EUA subiu acima de US$ 40 trilhões, e as taxas de juros que o governo paga também aumentaram. O governo dos EUA agora gasta mais com pagamentos de juros do que com as Forças Armadas, o oposto da Alemanha, segundo o relatório. Mais importante para os americanos comuns, afirma, é o aumento do custo de vida: Trump não cumpriu sua promessa de conter a inflação, e os preços de alimentos e energia, incluindo gasolina e diesel, estão empurrando a taxa de inflação dos EUA para cima, o que o relatório descreve como uma consequência clara da guerra do Irã que Trump iniciou. Para a maioria dos americanos, conclui, isso pode importar mais na próxima semana do que a aparição deferente de um executivo de uma montadora alemã ao lado do presidente.
Fontes: FAZ.