Foi identificado mais amianto em todo o complexo parlamentar do Reino Unido, enquanto os deputados enfrentam novos apelos para aprovar uma grande renovação do Palácio de Westminster. Os registos mais recentes enumeram mais de 1.650 elementos, incluindo isolamento, coberturas, ladrilhos e cordas — cerca de 500 a mais do que em 2021.
As autoridades parlamentares afirmaram que os elementos adicionais foram encontrados em inspeções realizadas como preparação para o programa de restauro, há muito adiado. Embora 700 elementos com amianto tenham sido removidos nos últimos cinco anos, o total aumentou. Quase 200 elementos são classificados como de risco médio e podem exigir obras de remediação, enquanto a maioria é considerada de baixo risco por estar em zonas ocultas e ter menor probabilidade de ser perturbada.
O governo está a ponderar uma votação sobre a renovação, que poderá custar até 40 mil milhões de libras e demorar 61 anos. A Comissão de Contas Públicas da Câmara dos Comuns afirmou que os deputados e os membros da Câmara dos Lordes dispõem de informação suficiente para decidir como avançar antes do final deste ano. A BBC noticiou que os responsáveis do governo na Câmara dos Comuns discutiram a realização de um debate e de uma votação até lá, mas ainda não foi definida uma data.
Uma votação determinaria se se avançaria com até 3 mil milhões de libras em obras iniciais e permitiria reduzir as opções atualmente em cima da mesa, antes de uma decisão final até 2030. Uma proposta exigiria que os deputados e os membros da Câmara dos Lordes deixassem o local por até 24 anos, a partir de 2032, com um custo máximo de 15,6 mil milhões de libras. Outra transferiria apenas a Câmara dos Lordes, estimando-se que o projeto custasse 39 mil milhões de libras e demorasse 61 anos.
A comissão alertou que cada ano adicional de atraso custa 420 milhões de libras aos contribuintes. O seu presidente, o deputado conservador Geoffrey Clifton-Brown, também manifestou preocupação com o risco de um grande incêndio, afirmando que um pequeno foco poderia alastrar pelo edifício. Referiu a presença de patrulhas contra incêndios 24 horas por dia e alertou para a possibilidade de danos graves no local histórico e de ferimentos em pessoas.
O amianto é uma das principais razões invocadas para a renovação, uma vez que as suas fibras podem pôr a saúde em risco quando são libertadas no ar. Embora o material seja, em grande medida, resistente ao fogo, o fogo e o calor nas proximidades podem transportar fibras a longas distâncias. O Parlamento afirmou que não é viável eliminar o amianto do edifício sem o demolir ou causar danos extensos à sua estrutura.
Um porta-voz parlamentar afirmou que a segurança das pessoas que trabalham no complexo ou o visitam é a prioridade absoluta da instituição. As medidas incluem um melhor controlo do amianto, formação para aumentar a sensibilização e planos para remover mais material.
Kris Gledhill, cuja mãe, Alice Mahon, antiga deputada trabalhista, morreu em 2022 de mesotelioma, disse à BBC que o amianto não deve ser tratado como sendo de baixo risco. Defendeu uma abordagem de precaução que tenha em conta a deterioração dos edifícios, as condições meteorológicas extremas, as inundações, os incêndios e as perturbações causadas pela manutenção ou renovação.
A comissão também apontou, entre os obstáculos ao programa, um processo decisório excessivamente complexo e os atrasos na obtenção de uma sede temporária para a Câmara dos Lordes no centro de conferências Queen Elizabeth II, situado nas proximidades. Hannah Moody, diretora executiva da Mesothelioma UK, afirmou apoiar a criação de um registo nacional do amianto e a sua remoção faseada dos edifícios públicos.
Fontes: BBC News UK.
