O líder do Partido Unionista Democrático (DUP), Gavin Robinson, disse estar «muito triste» com a saída de Carla Lockhart do partido, deixando claro que não iria criticá-la. Lockhart demitiu-se na segunda-feira devido à resposta do DUP à disputa sobre as marchas de Drumcree e continuará como unionista independente na Câmara dos Comuns.
A divergência dizia respeito à estratégia, e não à opinião de ambos sobre a questão, afirmou Robinson. Lockhart tinha instado o DUP a retirar o seu vice-primeiro-ministro do governo de partilha do poder da Irlanda do Norte, uma medida destinada a afastar a primeira-ministra do Sinn Féin, Michelle O’Neill, do cargo que ambos ocupam em conjunto. Robinson disse que o DUP acreditava que O’Neill deveria sofrer consequências, mas opunha-se a uma medida que penalizasse outras pessoas na Irlanda do Norte.
O’Neill e vários dirigentes séniores do Sinn Féin foram interrogados pela polícia, que investiga as manifestações em Garvaghy Road. Os unionistas acusaram o Sinn Féin de agir ilegalmente. Na semana passada, o DUP anunciou que bloquearia compromissos oficiais que envolvessem O’Neill, mas Robinson não chegou a apoiar a exigência de Lockhart para que ela fosse afastada do cargo.
Na terça-feira, durante o programa Good Morning Ulster, da BBC Radio Ulster, Robinson disse que o partido considerava que as ações de O’Neill exigiam sanções. Acrescentou que o DUP queria um regime de sanções para quem violasse o compromisso de exercer o cargo, salientando, ao mesmo tempo, que a Irlanda do Norte precisava de um governo funcional e de um orçamento. Disse que se esperava que as conversações sobre esses assuntos prosseguissem com o secretário de Estado na quinta-feira.
Numa carta aberta aos colegas, na semana passada, Lockhart chamou ao afastamento de O’Neill do cargo «a única opção credível» e descreveu uma resposta gradual como um insulto às pessoas que tinham confiado no DUP. Na sua declaração de demissão, disse que a sua primeira responsabilidade continuava a ser para com os habitantes de Upper Bann e que não podia ficar de braços cruzados enquanto o Sinn Féin ignorava o Estado de direito e as consequências prometidas não se concretizavam.
O deputado do DUP Gregory Campbell disse que a saída de Lockhart não era uma surpresa e poderia ser um momento decisivo para o unionismo. Instou os unionistas a unirem-se, em vez de se dividirem. Jim Allister, líder do Traditional Unionist Voice, disse que o DUP «preferiu manter Michelle O’Neill e deixar Carla Lockhart sair» e afirmou que Lockhart seria bem-vinda no seu partido.
Fontes: BBC News UK.